O Artista
  
  
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Diplomas e Prémios
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Este é um site criado pelo filho de Artur Correia que por este meio deseja prestar homenagem a seu pai aproveitando esta "magia" da tecnologia da comunicação que atravessa o mundo para dar a conhecer a quem o desejar aquele que tem o lugar no pedestal dos heróis e igualmente no seu coração.
Foram retirados estes textos de documentação variada graças a entrevistas dadas ao longo de anos de profissionalismo.

Espero que gostem, e descubram algo mais do meu Super Herói

Artur Correia

"...sempre, a todo o momento (penso criar novas histórias!) Mas tenho de me identificar devidamente com o que crio. Tenho de ter uma história que na verdade me faça vibrar... De certo modo, falta-me muito tempo, dada a minha ocupação com o desenho animado. Mas se eu conseguir uma história e conseguir dar-lhe aquele toque humorístico que sempre gosto de lhes dar, decerto que me atirarei de cabeça..."

As palavras são de Artur Correia e revelam uma grande paixão pela banda desenhada e um grande gosto pelo humor. Foram pronunciadas em 1978 (numa entrevista concedida a Luiz Beira e publicada no número 248 do Mundo de Aventuras).

"...o desejo de desenhar apareceu-me por volta dos 7 anos. Nessa altura copiava antes de ler as ilustrações de Amorim na "colecção Manecas" e fazia historinhas como as que lia n'O Mosquito. Devo dizer que gostava imenso de desenhar. Estou convencido que toda a criança tem em si a capacidade de desenhar, só que, pura e simplesmente, acaba por dispersar-se, devido ao meio em que vive, às influências que sofre, às escolas que acaba por frequentar...Eu por exemplo, sendo uma pessoa com gosto pelo desenho, fui obrigado a seguir um curso que me afligia extraordinariamente, o de Serralheiro Mecânico na Machado de Castro. Um pedaço de ferro para limar era uma coisa que não ia com a minha natureza. Por isso, quando podia, fugia para fazer bonecos no ALERTA, um jornal de parede da Mocidade Portuguesa..."

"...com a aquisição d'O Globo Juvenil, influenciei-me nas histórias do Brucutu, de V. T. Hamlin. Fernandes Silva foi também fonte inspiradora e a mais forte, até me identificar plenamente com o meu trabalho, criando as minhas próprias personagens..."

"... ao ler O Mosquito e as outras revistas queria ter também o meu jornalinho. O Vitor Silva, meu condiscípulo nessa altura, foi uma grande ajuda para mim, pois deve ter visto alguma coisa naqueles meus desenhos primitivos e levou-me a O Papagaio. Ele já desenhava para a revista, não só ilustrações como ainda histórias aos quadradinhos. Recordo uma delas de que gostava muito. Chamava-se "O Tigre dos Mares" e eram seis desenhos publicados a cores na contracapa d'O Papagaio..."

"...tinha 15 anos e estava a acabar o curso na Machado de Castro quando o primeiro trabalho foi publicado n'O Papagaio. Naquela altura as condições de pagamento eram de 7 escudos e cinquenta centavos (3.5 centimos) por ilustração e 20 escudos (10 centimos) por página ou capa. Bom para a altura!...comecei por ilustrar contos. Além das HQ's, alargava juntamente com um talentoso moço chamado Soares, os desenhos das histórias do Tim-Tim para virem publicados na página central. Nós é que fazíamos os acrescentos para transformar uma página única numa dupla. Ocasionalmente lá fazia uma capa. Isto em 1947 / 1948..."

"... a minha primeira história aos quadradinhos para O Papagaio foi A Ilha dos Fantasmas e directamente em pedra litográfica! Em finais de 1947 entrei como aprendiz de desenhador litógrafo na Litografia Tejo, tomando então contacto com o desenho em pedra litográfica. Haviam dois sistemas de impressão. O sistema da máquina plana que imprimia sobre pedra e o offset, que o fazia em chapa de zinco. Enquanto a pedra imprimia directamente no papel, a chapa passava o desenho a um rolo de borracha e daí ao papel. Por isso na pedra desenháva-mos ao contrário e na chapa às direitas. Aproveitei a familiarização com a pedra para desenhar as ilustrações e as Histórias aos Quadradinhos..."

"...como publicação independente O Papagaio fina-se em 1949 mas passa a ser inserido nas páginas da revista Flama, dirigida por Frei Diogo Crespo e Mário Simas. Em 1951, acaba..."

"...em 1950 transito da Litografia Tejo para o Diário de Notícias. Fernando Cruz, um primo meu, trabalhava no DN..Daí o convite para ingressar na secção de litografia, recém inaugurada no edifício do Marquês de Pombal..."

"...o meu trabalho era litografar em chapa as capas da Colecção Policial do DN e fazer as cores, também em chapa, do Diabrete, que logo terminou para ser substituído pelo Cavaleiro Andante. Resta acrescentar que, nessa altura, além de desenhar capas, fazia as montagens em offset e rotogravura, sistema em que era impressa a revista de cinema Estúdio na qual comecei logo no primeiro número com anedotas. Quando comecei, a minha primeira ideia foi passar para a redacção, pois eu entrava lá e via um ambiente extraordinário gerado em parte por duas fantásticas pessoas: o saudoso A. S. Müller e uma senhora, Maria Amélia Bárcia, de rara sensibilidade. Esta senhora, era o braço direito de A. S. Müller e acompanhou as edições do CA até à sua morte. Era este ambiente e sobretudo o mexer e ver as histórias que chegavam que me encantavam. E então fui pedir ao Sr. Müller se ele não se importava que passasse para a redacção para fazer paginação e ilustração. Ele deve ter simpatizado comigo, acedeu e conseguiu a minha transferência. E continuava a colaborar com cartoons para o Mundo Desportivo, anedotas para o Almanaque do Diário de Notícias, quer dizer, todas as publicações do DN e ainda para o Camarada."

O filho do Robin dos Bosques


Artur Correia

Lisboeta, nasceu a 20 de Abril de 1932.
Cursou na Escola Industrial Machado de Castro e, aqui mesmo se iniciou no desenho, participando no jornal de parede.
Primeiros Trabalhos: Seminário Juvenil "O Papagaio".
Entre outras publicações para onde Artur Correia tem colaborado, contam-se:
"Foguetão", "Zorro", "Pisca-Pisca", "Fungágá da Bicharada", "Mundo de Aventuras" e "Correio da Manhã". 
Foi porém, no "Cavaleiro Andante", que se demarcou com bandas hilariantes que ficaram famosas, como por exemplo: "As Aventuras de Dom Cebolinha", "Tufão no México", "O Roubo do Elefante Branco" ou "O Neto de Robin dos Bosques".

A PAIXÃO DO TEATRO

"...quando era miúdo lia o Sr. Doutor e entusiasmava-me sempre com as histórias de teatro que lá apareciam. Então, com os meus irmãos e os vizinhos montávamos um palco no pátio do sítio onde vivíamos, colocávamos uma grafonola a tocar, e a vizinhança assistia às nossas representações. A paixão pelo teatro, desde aí, nunca me largou. Na primeira oportunidade formámos um grupo na igreja da Encarnação, onde apresentámos várias peças. Como nessa altura eu estava já ligado ao Camarada e à Mocidade Portuguesa, onde fiz também teatro de fantoches, era com facilidade que arranjava bilhetes e ia ver teatro. E um dia fui assistir a uma peça que me deixou maluco. Era "As velharias de Scapin" de Moliére. Interpretada, entre outros, pelo Pedro de Lemos, no Teatro Nacional de D. Maria II. Não descansei enquanto não peguei nela e a passei para um "teatro" com um palco de 4 metros de lado por 3 de fundo! E metemos o mesmo número de personagens lá dentro! No DN consegui ainda formar um grupo cénico e, a par das hq's, ainda tinha tempo para fazer teatro, representávamos peças de Edgar Marques e da Anita Patrício, uma série de dramalhões de faca e alguidar, que divertiam muito as pessoas pois nós íamos para o palco brincar a sério... Ao passar para a Telecine, era eu que me encarregava de organizar toda a parte de diversão para as festas de Natal. Aí, no "plateau" da empresa, chegámos a apresentar a peça de Fernando de Paços atrás referida, que pertencia ao teatro do Gerifalto..."

Depois de terem trabalhado, durante alguns anos, na Telecine-Moro, o director de animação Artur Correia decidiu trabalhar por sua conta e risco, com a intenção de produzir e realizar desenhos animados de entretenimento e publicidade.
          
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Assim nasceu a Topefilme, em 11 de Maio de 1973. A equipa da Topefilme alcançou muitos êxitos no domínio do filme publicitário recebendo numerosos prémios em festivais internacionais, como os que se efectuaram em Buenos Ayres, Nova Yorque, Lisboa, Cannes, etc..
Mas o maior êxito foi obtido em 1967, nas Jornadas Internacionais do Cinema de Animação de Annecy, com o primeiro prémio na categoria de publicidade atribuído a O MELHOR DA RUA.

A Topefilme teve assinalável experiência na produção e realização de filmes educativos, contendo mensagens acessíveis para todas as camadas de público.
Títulos em destaque: A DIFTERIA, PARA MAL NÃO FAZER HÁ MUITO QUE APRENDER, PEÃO VERDE OU PEÃO ENCARNADO, CANTIGA DO PASSEIO e A CASA...
Houve encomendas muito significativas, o que aconteceu com a Organização Mundial de Saúde, ao financiar A HIPERTENSÃO; e com os Estúdios Moro, de Madrid, ao financiar a CAMPANHA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES INFANTIS.
Outro ponto de destaque foi a produção e realização de O ROMANCE DA RAPOSA, em treze episódios de treze minutos, exemplar adaptação do belo romancinho infantil do mestre Aquilino Ribeiro.

Realizador e autor de banda desenhada. Colaborou já em diversas revistas infantis e juvenis. No ano de 1965 inicia a sua actividade no campo do cinema de animação, tendo dois anos depois conquistado prémios em Veneza e Annecy.. Foi, também já distinguido em Bilbao, Cannes, Hollywood, Argentina, Zagreb, Lucca e... na sua terra natal: Lisboa. Em 1972 trabalho num dos filmes de uma série do veterano Robert Balser, em Barcelona. Um ano depois cria o seu próprio estúdio de animação, a Topefilme, onde a par dos filmes publicitários sempre procurou incrementar o desenvolvimento da curta-metragem portuguesa para cinema e televisão. Fez parte de vários júris internacionais. Actualmente contribui para a formação de novos valores para o desenho animado na EPI — Escola de Imagem e no estúdio Neurones-Portugal.

 
texto da revista do Diario de Notícias

São mil figuras deste século. Gente que se notabilizou nas mais diversas áreas. Da política à cultura. Do desporto à ciência. Também homens e mulheres que simplesmente perduram no imaginário popular. E nomes que vão ser lembrados pelo protagonismo de acontecimentos mais ou menos funestos.
De muita gente se fala em 100 Anos 1000 Nomes. Mas nem por isso a galeria de notáveis que se pretendeu consagrar deixará de ter falhas. As lacunas próprias de um trabalho de pesquisa. Os defeitos de qualquer selecção. porque não é fácil ser rigoroso quando se pretende falar desse mundo imenso de gente que sempre merece, ao menos, meia dúzia de linhas no grande livro de memória colectiva.
Registo exaustivo, 100 Anos 1000 Nomes mais não pretende ser do que uma colectânea de retratos, o álbum que se guarda e se desfolha de vez em quando. E que, como todos os álbuns, estará sempre incompleto.

"... Correia,Artur - CINEASTA

Ilustrava livros juvenis quando realizou, em 1970, o que é considerado o primeiro filme de animação português. "Eu Quero a Lua". É um dos nossos cineastas de publicidade mais premiado mundialmente.

e há que lembrar 
o seguinte: 
O humor não tem idade 
  
a presença no CINANIMA

Mais informação será introduzida periodicamente. Conserve esta morada da net e vá visitando este site!
Até breve.
Artur Correia Jr.

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